quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

COP 16, UM MARCO HISTÓRICO

Iniciada em 19.11.2010, sob o patrocínio da ONU, a reunião mundial COP 16 está transcorrendo na forma tão imprevista e singular que julgamos necessária uma página em sua merecida homenagem.

Em harmonia com o diapasão imperante dos interesses econômicos ora prevalentes, essa assembléia está prosseguindo num silencio tão acentuado como o desejam seus participantes.

Nenhuma notícia tem ocupado o precioso tempo dos soberanos da mídia por absoluta inexistência de notícias. Nem alguma vagante nota ou comentário que carreasse, mesmo implicitamente, qualquer brisa do bem ou do mal. Naquele não-evento obteve-se uma vitória científica, contra toda a lógica física e ainda não compreendida pelas ciências naturais: a parada do tempo.

Ali não ocorre coisa nenhuma. Isso foge à compreensão humana, mas, pelas deduções racionais, assim é. É difícil entender a questão, mas sabemos que é um fato real, inquestionável, porém compatível com a ausência da passagem do tempo.

Não há discussões nem diálogos. Nem entendimentos nem desentendimentos. Os discursos, obrigatórios nesses encontros, são todos em absoluto e rígido estilo gongórico, apropriados ao objetivo de exaltação da inércia.

Nem ameaças, medos ou covardias. Nenhuma curiosidade da dinâmica terrestre. Nem mesmo são percebidos os compassos do dia e da noite. A insensibilidade e apatia absoluta reinam triunfantes.

Essa nulidade não apresenta interesse ou desinteresse para o mundo, ali formalmente representado. Nem neutralidade nem inocuidade nem negatividade. Nem qualquer referência ou avaliação ou código existem naquele espaço-tempo. Tão especial e ausente, nem foi previsto em qualquer equação relativista de Einstein ou na teoria quântica de Planck.

Nem clamores, choros, alteração de semblante. Nem sinais de cansaço nem necessidades espirituais ou mesmo corporais.

Nem velas nem preces nem lamentos ou soluços.

Nem sentimentos nem emoções. Nem há países ou nações defendendo seus interesses. Há apenas um ambiente de quietude e serenidade, onde reina de forma total a ausência.

Nem luar, estrelas, poesias, exultações. Também não há apatia nem tristeza. Nem angústia nem sofrimentos.

Nem amor nem amizade nem pensamento.

Nem oferendas aos deuses, que são muitos, nem abnegação a qualquer coisa que tenha uma definição.

Ali não há visão de deserto nem mar. Nem horizontes nem amplidão cósmica nem referência indefinida.

Nem percebem a luz nem a escuridão. Nem penumbra ou cisco de cores. Nem o cinzento de qualquer tom consegue ser notado.

É um ambiente que não é ambiente. O mundo o ignora por puro e simples desconhecimento de tanta inércia e lacuna absolutas.

Nem em túmulo essa reunião se transforma. Ainda não. Por isso, o tempo ali parou. Estamos apenas em 2010, e a mãe Natureza ainda resistirá por mais um ou dois decênios.

Essa reunião, assembléia ou algo cujo nome ninguém sabe, deverá terminar como começou: o vácuo comprimido entre nada e coisa nenhuma.

Mas constituirá um feito histórico, um marco definitivo no destino da vida terrena. Um sepulcro esplendoroso.

Será uma gloriosa e apoteótica consagração universal do Nada.

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