sábado, 19 de maio de 2012

AS CARACTERÍSTICA DA CRISE PLANETÁRIA



Autor: Helder Modesto
      Vivemos agora os primeiros estágios de uma crise planetária. É a primeira crise desse tipo, conhecida em toda nossa história universal. Mesmo na antiga idade do gelo, somente havia perigo de vida aqueles regiões da terra cobertas por formações glaciais. A presente crise, por outro lado, é global porque o perigo não está confinado a uma determinada parte do planeta. Os padrões de comportamento responsáveis pela crise são criados pela febre da produtividade e do estilo de vida das sociedades industriais, sempre no afã do progresso e desenvolvimento. Essa visão cientificista do progresso, emulada pelo racionalismo do século XVII, teve Bacon e Descartes como os precursores dessa corrida.
      Enalteciam as vantagens do progresso, transformando-o em um axioma inexorável.
      Essa idéia acerca do progresso foi desenvolvida mais tarde pelo pensamento de Marx e de Hegel. Marx e Hegel acreditavam na perspectiva de uma evolução da humanidade, embora sofrendo algumas crises ocasionais.

       Esse ideal de progresso chegou até os nossos dias, não com o brio e a confiança na sua prorrogação infinita de antanho, mas coberto de resíduos ultratóxicos e ameaça de produzir catástrofes de grandes proporções. Os armamentos criados pelo homem já são capazes de destruir toda a terra de uma só vez. Mas, além disso, os efeitos do calor, provocados pelo aquecimento global, do barulho e da poluição geral são de tal ordem, que as condições de vida humanas se sujeitam de maneira crescente a maiores sacrifícios e riscos da própria sobrevivência da nossa espécie.

       É bom lembrar que a espécie humana é a espécie de vida mais recente na face da terra. Enquanto a vida desenvolveu-se ininterruptamente ao longo de mais de três bilhões de anos (3,8 bilhões é o termo mais correto), há cerca de no Maximo 1 milhão de anos aqui surgiu o “homo erectus”, dado por muitos antropólogos como a origem do homem na cadeia de sua evolução física. Portanto, a mais frágil entre as inúmeras espécies de vida e a que, logicamente, primeiro seria afetada.

     Como poderemos sair dessa crise planetária? A humanidade está tomando conhecimento dos seus limites? É possível reverter esse quadro? Enfim, o que acontecerá daqui para frente?

     Não há resposta conclusiva, assim como não podemos fazer previsões para esse futuro sombrio da humanidade. Existem muitos que nem tomam conhecimento do que está acontecendo, e isso se chama alienação. Alienação tem inspirado a maior parte das políticas deste mundo. O homem é um alienado quando se torna incapaz de entender as condições de seu próprio bem-estar, do bem-estar dos outros e do bem-estar da natureza.

     Marx atribuía importância fundamental à alienação. Para ele a alienação era a expressão máxima da distorção humana provocada pela economia capitalista. E, o capitalismo neste mundo globalizado, graças à sua visão predatória, leva a competitividade, o consumo, a confusão e ao espírito de incertezas que caracterizam e constituem baluartes do presente estado de coisas. “A competitividade comanda nossas formas de ação”, não mais a cooperação.
Finalmente, disse Fritjof Capra, “nas décadas seguintes, a sobrevivência da humanidade vai depender da nossa alfabetização ecológica, da nossa capacidade de compreender os princípios básicos da ecologia e de viver de acordo com eles”.
     A humanidade, porém, não está vivendo esses “princípios”, não há nenhum principio norteador no presente estagio da humanidade; a não ser os da competitividade, alienação, consumismo, exploração, e o vazio existencial que assola e tortura a falta de sentido de milhões.
           Fonte: Fábio Oliveira



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