segunda-feira, 16 de abril de 2012

SALVAR O PLANETA?


Autor: Antonio de Faria Lopes

Não se preocupem em salvar o planeta, disse um economista num programa de televisão. A Terra tem mais de quatro bilhões de anos e continuará a existir, mesmo que acabemos com a vida. Não é a Terra que corre perigo. Nós é que caminhamos, cada dia mais rapidamente, para a nossa auto extinção.

Leonardo Boff escreveu (O Tempo de 02.03.12) um artigo sob o título auto explicativo: “A vida na Terra já se extinguiu cinco vezes e a sexta nos espreita”. Os que querem salvar a Terra são, portanto, bastante pretensiosos. Melhor será nos engajarmos numa luta pela nossa própria salvação, todos nós. As cinco anteriores extinções da vida aconteceram por causas ligadas ao próprio universo como quedas de meteoros ou convulsões climáticas, ensina Boff. Agora não. Somos nós, por uma opção suicida que a estamos construindo a cada dia. E num processo de aceleração que os mais conscientes não conseguem deter.

Nenhuma das metas de todos os Congressos Internacionais sobre o clima foi cumprida. Tudo não tem passado de enganação, de paliativos, de falsidades, de adiamentos, de embromação. O poder econômico global, comandado, principalmente, pela indústria do petróleo e pelos banqueiros, domina o poder político e impõe um paradigma consumista em que o lucro é o único objetivo.

Os sete bilhões de habitantes são massacrados dia e noite por um esquema de propaganda que nos faz cada vez mais individualistas e submetidos a falsas necessidades. O crescimento do lixo é assustador e a sua reciclagem é ainda incipiente. Belo Horizonte, por exemplo, somente recicla cerca de 3% das mais de duas mil toneladas diárias que produz.

O aumento da produção de automóveis faz mais próximo o “notável congestionamento” previsto por Ignácio de Loyola Brandão no livro “Não verás país nenhum”, de sua autoria. Um dia os carros param por falta de espaço e são abandonados pelos seus donos. A poluição dos rios e a morte das nascentes, tudo por ação nossa, acaba com a água e com a vida. Será que ainda existe razão para otimismo, algum motivo para esperança?

Algumas intenções, mais que ações, começam a aparecer. A consciência da realidade ainda é de uma ínfima minoria, e é recente. Mas começa a crescer. E pode crescer muito rapidamente através da internet e das redes sociais. Se até em países fechados e submetidos a ditaduras ferozes, como Egito e Líbia, o povo se mobilizou pela liberdade e saiu vencedor, há motivos para acreditar que pode haver mudanças.

No Brasil, desde agosto de 2010, existe a Lei Nacional de Resíduos sólidos que marca para o mês de agosto de 2014 o fim dos lixões em todos os municípios do país. Para esta lei “pegar” será necessário muito trabalho e pressão popular. O fim dos lixões significa mais possibilidade de reciclagem dos resíduos, incluindo e promovendo os catadores que vivem em condições precárias, além de transformar a reciclagem num empreendimento econômico importantíssimo para a preservação ambiental. É importante cobrar de prefeitos e vereadores o cumprimento da lei

Muitos ainda nem sabem que ela existe.



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