quinta-feira, 12 de julho de 2012

COMUNIDADE

Autor: Fábio Oliveira
Após maravilhoso passeio pelo leste europeu (Viena, Budapeste, Praga e Bratislava), incluindo também Dresden e Berlim na Alemanha, Lisboa em Portugal, regresso ao Brasil para minha cidade natal Fortaleza.
Um dos vocábulos mais significativos que trago dessa viagem é a noção de comunidade. Nós, brasileiros, somos um povo fragmentado, formados por retalhos, sem unidade. Não cultuamos hábitos saudáveis que possam engrandecer a nação. Não temos ainda uma direção que possa nos levar a dias melhores. Ainda nos encontramos totalmente perdidos, tal qual o ditado popular: estamos piores do que cegos em tiroteio.
Os poderes da república só se preocupam com seus interesses meramente pessoais. Não existe um projeto de nação. Que Brasil queremos realmente construir? De ladrões, de criminosos, de aproveitadores, de medíocres?  Enfim, estamos longe de ser uma comunidade, na concepção mais verdadeira desse vocábulo. Podemos ser qualquer coisa, menos uma comunidade.
Dietrich Bonhoeffer escreveu: “Comunidade é um anfiteatro em que os gladiadores depuseram suas armas e armaduras, se tornaram hábeis em ouvir e entender, um lugar em que se respeitam os dons uns dos outros, celebram suas diferenças e cuidam das feridas uns os outros, um lugar em que todos estão comprometidos a lutar juntos - em vez de lutarem uns contra os outros. É também um lugar para se lutar com graça.”
Dietrich Bonhoeffer foi um teólogo, membro da resistência alemã antinazista e contrária à política nazista. Envolveu-se na trama da Abwehr para assassinar Hitler. Em março de 1943 foi preso e acabou sendo enforcado, pouco tempo antes do próprio Hitler cometer suicídio.
Perceber cidades que foram destruídas em grandes guerras, dominadas por nazistas e fascistas e em poucas décadas se reergueram, não apenas nos aspectos materiais (urbanos, edificações, econômico-financeiros e etc.), mas acima de tudo nas relações sociais e humanas, é algo que nós brasileiros temos muito que aprender.
Chegando ao Brasil, leio notícias que me entristecem bastante: Dilma não vetou o criminoso Novo Código Florestal, mas apenas alguns itens. O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e o ex-presidente Lula trocam insultos por interesses meramente pessoais e pequenos, totalmente contrários aos grandes problemas da nação. Lula e Gilmar Mendes são semelhantes, já que defendem o crime e não agem contra o mesmo. Defendem sim o crime, desde que seja dos seus próprios pares. Fazem o jogo político com baixarias, quando uma mão suja procura lavar outra mão suja.
Será que isso é possível? Não é possível, é ação de canalhas, de ignorantes e pequenez para os cargos que ocupam na nação. Com certeza as mãos de ambos sairão ainda mais sujas desse episódio. Grande parte do povo brasileiro e muitos eleitores em suas santas inocências aplaudem essas baixarias e não reagem a situação tão humilhante por que passa a decadente sociedade brasileira.
O fato de o ex-presidente Lula ser o primeiro presidente operário, originado de classe menos favorecida, não lhe dá o direito de ser subserviente ao crime, quando deveria combatê-lo com todas suas forças, bravamente.
São manchetes nos jornais do meu país: assaltos com explosões a bancos ocorrem quase que diariamente, assassinatos banais fazem parte do nosso cotidiano, dois jovens assassinados na Praia de Iracema, 50 Universidades Federais em greve, Praia de Iracema vira cenário de assassinatos, roubos, assaltos e de comércio de drogas, 57% dos fortalezenses defendem a pena de morte e etc.
A política é tratada com ações que ficam abaixo da pior das mediocridades. São notícias de um país que chegou ao limite da degradação social e política.
Falta ao Brasil noção de comunidade. Vivemos num país que é uma selvageria sem limites. O que diferencia o ser humano do animal irracional é a linguagem, a educação, a capacidade de evolução da consciência e o poder de transformar-se sempre em melhor. Mas ainda nãoconseguimos encontrar o caminho de sermos realmente humanos, ainda vivemos na mais profunda ignorância, chegando a ser animalesca.
Não estou querendo dizer que o ser humano esteja pronto em alguns países ditos desenvolvidos, pois em qualquer lugar do mundo existem imperfeições e fraquezas humanas. Porém, digo que dentro de uma escala evolutiva nós brasileiros ainda nos encontramos infinitamente atrasados nos mais diversos aspectos, inclusive na noção de comunidade.
É verdade que as atrocidades nazistas, fascistas e o totalitarismo comunista levaram milhões de seres humanos a morte e ao sofrimento. Mas também é verdade que essas nações não esqueceram a prática do que realmente seja uma comunidade.
No Brasil, temos os travestidos de salvadores da pátria, mas que as práticas mostram exatamente o contrário. Quantos humanos morrem nos corredores dos hospitais por falta de atendimento médico? Quantas crianças sobrevivem na mais degradante humilhação? Quantos bilhões de reais são desviados dos cofres públicos que deveriam ser aplicados em benefício de todos? Quantos humanos são assassinados nas ruas por um simples celular, um par tênis ou uns parcos reais? Portanto, nós também temos fascistas e nazistas ocultos, o que é ainda pior. Temos um holocausto urbano, ético e moral.
A viagem foi maravilhosa, me diverti bastante e enriqueci um pouco a minha modesta visão de mundo, mas me entristeço ao ver meu país com tantos problemas sérios para serem solucionados, e os políticos preocupados com banalidades, intrigas inconsequentes, corrupção e baixarias que só atrasam a evolução social, psicológica, espiritual e material de um povo.
Talvez seja realmente necessário passarmos por tudo isso para que um dia aconteça o despertar do povo brasileiro, talvez com mais sofrimentos a comunidade surja, mas só os Deuses podem compreender tais acontecimentos.



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