segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

QUEM FOI KARL MARX?

Autor: Antonio Radi

Alguns cidadãos que conheço - empedernidos membros da classe média, orgulhosos de seu status social - bradariam com expressão de horror em suas faces: Oh! Um barbudo revolucionário! Um comunista! Ou ainda: O diabo em pessoa!

Sim, conheço cidadãos - alguns deles ilustres membros de organizações sociais cristãs e/ou humanistas - que chegariam a se benzer diante de invocação tão herética e amaldiçoada!

Porém, vos afirmo a todos - leitores eventuais e acidentais - que nenhum desses senhores que conheço jamais leu nada escrito diretamente por Marx. As idéias deste pensador as conhecem por "ouvir falar" e o que sabem saiu da boca daqueles que têm espaço na mídia; da aversão destes, constroem, assim, a sua aversão.

Bem, antes que me taxem de comunista vou antecipar-me e dizer-lhes que os comentários que trago aqui em relação à obra de Marx não são meus... e também não são de ninguém da "esquerda". Pertencem os dizeres ao Sr. George Magnus, ex-economista chefe da União de Bancos Suíços (UBS) e atualmente consultor sênior desta instituição financeira. Mais aliviados meus queridos antimarxistas?

Em um artigo intitulado "Deem uma chance a Karl Marx" o Sr. Magnus sugere aos dirigentes políticos do planeta que leiam os escritos deste pensador alemão, em especial sua "grande" obra: O Capital... por que? Já explico...

A primeira "profecia" de Marx em que o Sr. Magnus se apóia para fazer a sua (ousada) recomendação diz respeito à formação do chamado "exército industrial de reserva", composto por uma grande população de desempregados. Este "exército" - inicialmente formado pelo enorme contingente de trabalhadores rurais que migraram para as cidades - é hoje mantido pela constante automação dos meios de produção; esta, por sua vez, é impulsionada pela busca constante do lucro e da acumulação financeira, pressupostos essenciais para o funcionamento do sistema Capitalista. O problema, no entanto, como salienta o Sr. Magnus, é que uma grande acumulação financeira de um lado gera uma grande miséria do outro. Escreve ainda este economista: "A parcela da produção econômica apropriada pelas empresas, na forma de lucros corporativos, chegou ao nível mais alto em seis décadas. Enquanto isso, a taxa de desemprego subiu para 9,1% e os salários reais estão estagnados. A desigualdade de renda nos Estados Unidos chegou, por sua vez, a seu nível mais alto desde a década de 1920."

A segunda "profecia" lembrada pelo Sr. Magnus diz respeito a uma das contradições do sistema capitalista: "quanto mais trabalhadores permaneçam relegados à pobreza, menos serão capazes de consumir todos os bens e serviços que as empresas produzem. Quando uma empresa reduz os custos para aumentar o lucro, está sendo esperta; mas quando todas as empresas fazem isso ao mesmo tempo, minam a distribuição de renda e a demanda efetiva dos que dependem de salários." E prossegue o Sr. Magnus: "O resultado (deste processo) é visível nos Estados Unidos, onde a construção de novas habitações e as vendas de automóveis permanecem cerca de 75% e 30% abaixo de seus picos de 2006, respectivamente." E, citando Marx literalmente, o Sr. Magnus crava: "a razão última de todas as crises reais ainda é a pobreza e o consumo restrito das massas."

Para vencer a crise, o Sr, Magnus desenha uma estratégia fundamentada em cinco eixos principais, à saber:

- Sustentar o consumo e o crescimento da renda através de medidas como redução de impostos e incentivos fiscais;

- Reestruturação/prorrogação das dívidas das famílias;

- Mais crédito para pequenas empresas e para obras de infra- estrutura;

- Ampliação dos prazos de pagamento e redução da dívida grega; simultaneamente, recapitalizar os bancos europeus;

- Bancos centrais mais focados no crescimento econômico do que na compra de títulos;

Dará certo? Bem, nem o Sr. Magnus sabe... mas ele termina o artigo com um alerta... ninguém está imune à crise... nem mesmo a China...

Quem viver verá...

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