domingo, 1 de janeiro de 2012

A SOCIEDADE DOS MORTOS VIVOS

Cesar Boschetti

Vivemos em uma sociedade estranha. O individualismo patrocinado pela sobre valoração do material e do consumo como fim em si próprio reduziu o homem à condição de simples macaco. Já não há mais vontade própria, mas apenas a imitação barata de modelos forjados e tacanhos. O bizarro e a vulgaridade tomaram conta do cenário social. Os conceitos de ética são cada vez mais desprezados em todos os setores da vida. O certo e o errado tornaram-se subjetivos. O Estado ausente perdeu sua função reguladora e edificadora da sociedade. Transformou-se em um amontoado disforme de estatísticas econômicas.

O ser humano virou simples mercadoria, é apenas um número positivo ou negativo. O desencanto com esse mundo, economicamente globalizado, mas filosoficamente miserável e sem ideais sufoca o Ser. Hoje, a tarefa de educar um filho não é apenas um desafio, transformou-se em uma verdadeira loteria. O zelo familiar, por maior que seja, é insuficiente diante dessa roleta da vida, viciada e impregnada por egoísmo, sentimentos contraditórios e maus exemplos que florescem como mato.

O natural conflito de gerações é apenas um pequeno apêndice de uma problemática bem maior. Os valores humanos foram reduzidos ao salve-se quem puder e que se dane o próximo. Uma estratégia maquiavélica para desclassificar competidores na olimpíada dos mortos vivos. Com raras exceções, ninguém mais dá a mão a ninguém. Ninguém mais tem coragem de apontar o erro do seu semelhante, não para humilhá-lo, mas para reerguê-lo, numa verdadeira expressão de amor ao próximo. Este ato, moralmente correto, choca-se com o paradigma covarde e irracional do "dedo duro". Uma atitude justificada, mas própria de uma sociedade estupidificada de espectros humanos.

César Boschetti é formado em Física pela USP

Fonte: Fábio Oliveira – fabioxoliveira2007@gmail.com
                                   fabioxoliveira.blog.uol.com.br/

1 Comentários:

Às 1 de janeiro de 2012 08:46 , Blogger Maurício disse...

Não há um fato qualquer sem que haja suas causas. Os apontamentos feitos pelo ilustre articulista são caracteres bem observados de uma civilização irreversivelmente decadente em seus aspectos morais, espirituais. Enfim, o que mais vale no ser humano são seus valores instintivos preservados no correr do longo caminho da evolução. Citamos, como exemplo, o amor materno.
Contudo, as ações tenebrosas dos interesses do sistema econômico conseguiram destruir tais valores herdados. Hoje, a obtenção de um recurso financeiro destinado a sustentar o vício do consumismo se sobrepõe à atenção e cuidados com um filho. Resultado, está a sociedade diante de um problema autofágico decorrente do não uso das faculdades mentais por parte de 70% dessa nova geração, cuja ocupação se resume em freqüentar escola (freqüentar não significa adquirir conhecimentos) e praticar todos os atos contrários à saúde no campo social e familiar.
Mas a causa desses destemperos todos advém de uma única causa maior: o excesso irresponsável de indivíduos da população mundial – 7 bilhões!
Numa pequena comunidade, onde os filhos se ocupam na ajuda do trabalho-vida do grupo familiar para seu sustento, não existem aqueles aspectos negativos apontados.

 

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