quarta-feira, 23 de maio de 2012

HOLOCAUSTO BRASILEIRO EM BELO MONTE

Autor: Joel de Sá
A expressão holocausto está cunhada numa imensa quantidade de textos que fazem referência a extermínios de povos. Entretanto, ele está marcadamente mais presente nos textos que se referem a pessoas pertencentes à cultura judaica, sobretudo no decorrer do regime nazista, na Alemanha. A problemática colocada com tanta ênfase dá a impressão de que a morte de judeus sob o regime hitlerista foi a única grande matança de pessoas ocorrida em toda a história. Aos brasileiros pode parecer estar distante de fatos dessa natureza. Grande equívoco.
          Entretanto, o que se expressa semanticamente como holocausto não está rigorosamente configurado somente como massacre de criaturas humanas por armas letais. O holocausto social e étnico se dá de várias formas. Há uma forma sutil de matança, mas nem por isso menos degradante e criminosa: é a que vai suprimindo os indivíduos ou grupos de indivíduos paulatinamente. Primeiro são extintos seus hábitos, seus costumes, seus aspectos tradicionais de viver, em seguida a vivência vai se tornando mais complicada em virtude das interferências no ambiente, até que os indivíduos vão desaparecendo. Em pouco tempo certos povos deixam de existir. É o caso de muitas etnias primitivas do Brasil, desde a época do descobrimento.
           Os historiadores atestam que no início da colonização, pouco depois do “descobrimento”, ocupavam as terras brasileiras entre seis e sete milhões de almas. Criaturas humanas de pele plúmbea, agrupados em diversas tribos, línguas e costumes povoavam o vasto litoral, as margens dos vários rios e as orlas de alguns lagos.
       Hoje a construção da Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, poderá representar um genocídio, mesmo que mais lento dos povos que ocupam e se nutrem dos parcos recursos naturais da região. Calcula-se que pelo menos 20 mil indivíduos, entre indígenas, caboclos e outros povos habitam a região. Os índios, calculados em 14 mil, estão divididos em algumas etnias e agrupamentos. Os indígenas daquela região estão entre os mais arraigados à cultura primitiva. A região é uma das áreas com fauna e flora ainda prósperas e bem preservadas. Por essa razão representa o sustento e o estado natural para quem vive lá.
          Um enorme imbróglio jurídico envolve a construção da usina hidrelétrica. Um enorme impacto ambiental será percebido com a construção do empreendimento. Além disso, a energia produzida lá não irá beneficiar os moradores da região. A hidrelétrica produzirá energia com sua potência total em apenas um terço do ano. Em quatro meses ela produzirá apenas 50% de sua capacidade e nos restantes quatro meses ficará inativa.
Fonte: Fábio Oliveira – fabioxoliveira2007@gmail.com
                                








0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Página inicial