domingo, 3 de janeiro de 2010

EM DEFESA DA CORRUPÇÃO

Estamos vendo o grande espetáculo de corrupção relativo ao Distrito Federal. Antes, houve divulgação do mesmo fenômeno nos Estados de Minas Gerais, Rondônia, Rio de Janeiro, Maranhão, e outros, mas a mídia se encarregou de esquecer esses acontecimentos, pois os do Distrito Federal implicam projeções federais, enquanto aqueles se comportavam na esfera estadual, com eventuais ligações centralizadas em Brasília. Interessante! O escândalo maior abafa ou engole o menor. Não ignoramos os filhotes de corrupção esparramados nas áreas municipais, verdadeiros cursos primários dos iniciantes na difícil carreira política. Mas um rumo é sempre certo, a impunidade. Afinal, não se punem “anjos”.
Mas o Brasil é muito grande. Há sistemas corruptíveis para todos os gostos. Há corrupção na esfera judiciária, legislativa, executiva, abarcando as áreas federal, estadual e municipal. Apressamo-nos a consignar, por justiça, que nesses setores encontramos pessoas impolutas, dignas, sem qualquer mácula. Essas são as exceções da regra geral.
Na generalidade, todos praticam a difícil arte da política de interesses pecuniários. Tudo isso é dedutível para qualquer mente acostumada com os jogos da lógica. E o meio mais adotado é o dos desvãos da publicidade, que possui diversos afluentes: TV, rádio, eventos, festas, etc. Vemos governo federal superfaturando milhões de reais em propaganda inteiramente desnecessária e inútil, posto que detém ele exclusividade nas atividades focalizadas. Estados e municípios gastando outros rios de dinheiro em publicações caríssimas só para dizer inconsistências e se louvarem. Municípios promovem festas, eventos e comemorações abrindo a porta do cofre e negam, por falta de dinheiro, serviços essenciais à população. Dão ao povo circo, puxando antes a parte do leão, eleito para isso mesmo. Não oferecem educação, saúde, segurança, que essas coisas atrapalham a verba de festas e publicidades.
Apenas como exemplos concretos, os jornais de 30.12.09 fornecem dados de publicidade constantes dos respectivos orçamentos para 2010. Só a cidade do Rio de Janeiro, consignou 60 milhões de reais; o Estado de São Paulo, 120 milhões; o Estado de Minas Gerais, 40 milhões; o governo federal – só para exaltar e acariciar vaidades do presidente falastrão – valores indeterminados. Essa é uma boa graxa. Engana aos tolos e até alguns chefes de estado, que também têm suas próprias manhas. O primeiro ministro Sarkosy, por exemplo, venho ao Brasil, alisou vaidades oficiais, publicou na França farta matéria elogiosa ao nosso principal mandatário, tudo para promover a venda dos aviões Rafalle e submarinos antigos. Os governantes mundiais não cuidam do meio ambiente; tratam de intermediar negócios, atados que estão ao arcabouço econômico que domina o mundo.
Entendemos que tudo funciona assim, e os políticos se entendem muito bem nesse ramo. Não podem é ser apanhados em flagrantes, serem gravados ao telefone e filmados. Isso seria, digamos, uma grave e imperdoável incompetência política que, apesar de não ser punível, afeta negativamente não só os personagens da trama, como toda a classe política.
Na antiga Grécia, no Estado autônomo de Esparta, no treinamento militar era perfeitamente aceita e até estimulada a ação de furto, desde que o larápio não se deixasse apanhar. Se pego em flagrante, era castigado severamente. Não pelo furto em si, mas pela inabilidade da ação. No Brasil é quase a mesma coisa; o corrupto não pode é ser flagrado. Nessa circunstância, o esquema da panelinha se desmorona, mas no final todos permanecem ricos, felizes e vão gozar a vida com seus milhões.
De onde vem essa dinheirama? Ficamos pensando se os financiadores dessa podridão social são sempre de uma mesma atividade econômica. E as empresas de outras naturezas que entram em licitações em outras áreas e em todos os Estados? Seriam inocentes, certinhas, impolutas? Não cremos. Afinal, o sistema, o modo político, o jeito de operar e o extrato eleitoral têm um mesmo e exclusivo objetivo: ganhar dinheiro, lucrar. Habita a cabeça dos respectivos dirigentes a grande e única verdade: o objetivo da vida é acumular riquezas materiais. Mais nada.
Observamos quão interessante é esse desfiar de novelo oco. Há pelo menos dois tipos de corrupção: o legal e o ilegal. Estamos acostumados a ver os impolutos reclamarem do caixa 2. Isso porque tal caixa indica o não pagamento de impostos. Quanto ao caixa 1, que naturalmente paga tais gravames, esse pode, por direito legal, corromper nossos dignos representantes. É uma aberração do sistema. Mas essas regras foram feitas por eles mesmos. Vimos na televisão um dito respeitável senador dizer que foi financiado com dois milhões de reais por empresas “boazinhas”, mas frisando que doados pelo caixa 1, devidamente declarados na prestação de contas à chamada justiça eleitoral. Ora, o dinheiro doado – venha de onde vier – nunca é realmente doado. Ele é investido em interesses empresariais. E todo investimento é calculado em função de retornos lucrativos. E quem aceita tais doações fica sem o suporte moral, vende a consciência (quando a tem), vende a alma. Tudo passa a ser representado pelos interesses do cifrão. É esse cifrão que engraxa toda a máquina nacional para que ela continue funcionando e não apresente ranger de eixos.
Entendemos que todo país democrático que se preze tem que ter sua estrutura de corrupção. Essa prática democrática é generalizada, mundial. Em recente classificação, um instituto internacional publicou a relação dos países onde é praticada tão valiosa e emocionante arte. E o Brasil não está mal colocado nessa classificação.
Aqui, por exemplo, ela se justifica plenamente, pois se não medrasse, quem iria realizar sonhos mirabolantes negados à plebe. A estrutura econômica se mantém pelo consumo e gastos, tais como iates luxuosos, aviões particulares, automóveis importados de luxo, festas deslumbrantes, uso de vestidos de ouro, grandes salários para chutador de bola, viagens constantes para o exterior, cultivo de vaidades caríssimas, assassínio de florestas imensas. Tais consumos e atividades desnaturam a parte boa da espécie humana com a ostentação perante os excluídos da sociedade e sustentam a base da estrutura econômica de uma nação.
Um país sem corrupção não terá índices crescentes de PIB, não terá arrecadação suficiente para encantar o povo com festas populares, espetáculos circenses apresentados sob a enganação de culturais. Sem dinheiro em excesso, quem iria sustentar o mundo dos supérfluos, o modismo em roupas, celulares, televisores, esportes empresariais, apetrechos diversos, futilidades, consumismos frívolos, viagens desnecessárias de turismo, e outras atividades inteiramente contrárias à manutenção dos recursos ambientais?
Concluímos que a corrupção é a graxa da máquina de uma nação e fator necessário e essencial para o equilíbrio econômico de um país. Reconheçamos sua utilidade. Sem ela, toda a estrutura econômica de um país se desmoronaria por falta de estímulos à satisfação dos desejos materiais infinitos dos indivíduos.
Alguém perguntaria em que posição ficam os alijados para o exercício da corrupção. Estes têm dois caminhos: adquirir o hábito de furtar (que é a mesma coisa, mas em escala muito menor), inserindo-se na classificação de criminoso punível, devidamente processado, julgado e condenado por um impoluto juiz togado, regiamente pago para isso. O outro rumo é manter-se honesto, consciência tranqüila, cultivando a liberdade mental de pensar – denunciando, reclamando, gritando –, o que não adianta nada, mas dá o orgulho de se sentir útil aos bons cidadãos. Há ainda uma terceira via: conformar-se e continuar votando nas eleições com a esperança de que algum dia algo mude.

3 Comentários:

Às 5 de janeiro de 2010 12:06 , Blogger eduino disse...

OLÁ MAURICIO !

ótima matéria, pois é nos municípios
que tudo acontece, e as pessoas ficam argumentando; há esses corruptos lá em brasilia,. . . ? mas eles são conhecidos seus ! eles foram "eleitos" na base municipal !
a primeira instância do bloco federativo nacional.

*OS CRIMES AMBIENTAIS, . . . TODOS ACONTECEM NOS MUNICÍPIOS !
e os responsáveis não são punidos, e nas primeiras eleições candidatam-se e os eleitores votam neles! ? ! ? !

*CABERIA UMA CAMPANHA NACIONAL CENTRADA NOS MUNICIPIOS, PARA NÃO GERAR "OS FILHOTES DA CORRUPÇÃO".

Eduino de Mattos
porto alegre RS

 
Às 5 de janeiro de 2010 16:10 , Blogger Maurício disse...

Tem razão, Eduino.
A ponta da raiz está nos municípios. Essas unidades políticas são como as células que formam os membros (Estados) e o corpo (Nação). Com poucas excessões, nossos municípios estão cheios de corrupção e incompetências. É ali que se formam os conhecidos parlamentares federais e estaduais. E ninguém apura nada. É uma lástima. Por isso, tinhamos esperança no sapo barbudo, o maior engodo da história política do Brasil.
Ninguém fala, mas a situação financeira do país éstá APARENTEMENTE saudável, mas é à custa dos torrentes de dólares que tem entrado no país, seja como investimento ou como especulação.
Hoje o Brasil não é do Brasil; é do capital sem pátria. Os estrageiros compraram quase tudo que possuiamos, desde editoras até bancos e celulares. E, na especulação, ora viva, o nosso governo oferece ao mundo a maior taxa de juros... ora, ora. Alardeiam que o a crise geral não afetou o Brasil, única excessão no mundo. Quer dizer: todos os países estão errados; só nós é que estamos certos.
Quando a situação de oferta de ativos se normalizar lá fora, as bolhas financeiras aqui vão estourar por todos os lados. A consequência? Inflação. Anote isso.

 
Às 17 de janeiro de 2010 12:57 , Blogger Vida Eterna disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

 

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