quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

UM BALÃO VAI EXPLODIR NA EUROPA

Autor: Mauro Velado Neto
    Alguém está assoprando um balão na Europa. A boca dessa esfera está na Grécia. Pela lógica, essa bexiga se expande até seu ponto crítico, quando explode. E aí surgem as consequências que se alastram potencialmente para diversos países, vinculados ao mesmo sistema econômico.   
     A mídia tem dado extenso noticiário sobre tal situação. Mas é preciso que se identifique claramente quem é esse Alguém que está assoprando, assoprando. É a isso que nos propomos fazer nas linhas que se seguem.
    O sistema econômico, sobre o qual se assenta a sociedade ocidental predominante, com especificidade na região da União Europeia que adotou a moeda única — o Euro —, é uma estrutura capitalista, vale dizer: de ganância e mais ganância. Daí vem em primeiro lugar — como objetivo único de vida —, a obtenção de lucro financeiro, isto é, renda parasitária  baseada na necessidade essencial do conjunto produtivo, constituído pelo povo, geralmente não pensante por ter a mente aprisionada pela mídia.  
    Em palavras claras, a sistemática é a seguinte: os Bancos são instituições que guardam o dinheiro da gente miúda. Geralmente, esse bem não sai do Banco em suas transações. Com isso, esse Estabelecimento fica entesourado. E eles são protegidos imoralmente pelos Governos nacionais, pois é neles que estes se abastecem para navegar em riquezas. Essas duas instituições têm relações financeiras simbiônticas.
    Acontece que, por consequência do império de ganância que reina na sociedade, alguns ficam com dinheiro sobrando, isto é, não necessário para viver. Aplicam esse excesso no Banco e se tornam investidores. Na verdade, o Banco é apenas um intermediário. Quem recebe esse sangue financeiro é o governo. Como? Os governos, além dos altíssimos impostos a que submetem as atividades produtivas, gasta irresponsavelmente muito mais do que arrecada. As vasilhas governamentais têm muitos furos por onde escapam fortunas.
    Mas como compensa essa diferença de insensatez? Pede (exige) empréstimo ao Banco, por prazo variável que pode ser por cinco ou dez anos. O Estabelecimento fica satisfeito porque transfere o dinheiro dos investidores para o governo, um cliente perene e soberano que paga em dia. Na ocasião, o Banco desconta os juros — seu lucro — e fica aguardando o próximo pedido de empréstimo. Todos os governos agem dessa forma. É desse disponível que os políticos fazem as farras absurdas, inclusive esbanjamentos e custos de olimpíadas espetaculares que só servem para enriquecer terceiros.
    No dia de vencimento de um desses papéis — notas promissórias, melhor dizendo —, o governo paga com outra promissória de valor igual, acrescida dos juros combinados. E assim, vai tocando.
    Muito bem. A Grécia se exacerbou nessa prática. Ficou devendo exageradamente mais do que sua capacidade de pagar. Tudo como resultado de uma farra de dinheiro dos aplicadores, aqueles que tinham dinheiro sobrando. Esse procedimento, um pouquinho menos intenso, também é ou foi executado pela Itália, Espanha, Portugal e demais países por esse mundo afora.
    Acontece que os Bancos comerciais, os Bancos Centrais, governos representativos do sistema e demais instituições financeiras estão enxergando perdas de investimentos próprios e de terceiros nessa situação. Já concordaram com um prejuízo de cem bilhões de euros a troco de certas condições que lhes iriam repor o prejuízo mais para o futuro.
    Isso não vai dar certo. Por quê? Porque não existem milagres. A única solução que vemos é a seguinte: a realidade. Isso significa que o governo grego declare simplesmente o calote, isto é, o simples não pagamento do que deve. Nada de significativo vai ocorrer. Vai perder dinheiro quem o tem sobrando. Os outros perderão empregos e desordens políticas e sociais. Mas isso tudo seria consequência de uma situação econômica em que o dinheiro não tem apenas a função social que lhe é própria, a de ganhar sem trabalhar.
  Fonte: Folha de Goiás
 

 

   







 

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