domingo, 27 de abril de 2008

"A GRANDE TRIBULAÇÃO" em marcha II

Transcrevemos abaixo artigo do eminente ambientalista Antídio Teixeira, publicado em 25.4.08 no blog "DebataDesvendeeDivulgue", local de concentração de ambientalistas que intentam unir-se para fortalecer a defesa do nosso desprezado planeta.

"Os Estados Unidos estabelecem cotas para consumo pessoal de arroz e suspendem exportações.
O Brasil acende sinal amarelo e controla seu estoque regulador.
A Argentina suspende a exportação de trigo para atender ao consumo interno. Os preços dos alimentos sobem em todo o mundo. Diz a ONU.
Meritório o comentário do Administrador em “A Grande Tribulação” em marcha I; mas, apesar de apontar alguns aspectos pouco conhecidos e procurar minimizar os efeitos dos biocombustíveis no mercado, deixa-nos oportunidade para explicitar graves conseqüências para o mundo, inclusive a ampliação da guerra pelo controle do petróleo como já vem ocorrendo no Iraque, e que poderá se estender para o Irã, a Venezuela e outros grandes produtores. Vejamos por que: […] Energia é uma força única que se apresenta em potencial na estrutura da matéria, no movimento desta ou no calor. Estas formas se convertem umas em outras e, destas transformações, possibilitou a criação e a evolução da vida cujo exercício culmina com a mais nobre das manifestações: a inteligência.
Alimentos, lenha, petróleo, hulha, gás natural, cursos de água e ventos são fontes de energia em constante estado de transformação entre si.
Alimentos liberam calor e produzem movimento nos seres animados para sustentarem-lhes a vida e proporcionar-lhes a realização de trabalho; mas, também liberam calor e produzem movimento quando queimados em mecanismos próprios, tais como caldeiras e motores.
Hulha, petróleo e gás natural são resíduos de milhares de florestas que, em sucessivas épocas, viveram num mesmo espaço de solo e que, encobertos com terra, se fossilizaram. Hoje, constituem-se em verdadeiros concentrados energéticos que nenhum esforço custou ao homem para produzi-los; apenas explorá-los e refiná-los. Assim, com um mínimo de mão-de-obra aplicada por caloria liberada, seu custo de produção sempre foi muito mais barato do que as demais formas de captação de energia. Considerem que, inicialmente, tais combustíveis eram encontrados à flor da terra; o petróleo, por exemplo, em alguns casos, fluía espontaneamente do solo e, hoje, tem que ser aspirados por poderosas bombas a milhares de metros de profundidade, tanto em terra como nos mares. Transportado por grandes distâncias e disputado em dispendiosas, injustas imorais guerras, os custos dos combustíveis automotivos com ele fabricados, têm se elevado a ponto de competir com o dos biocombustíveis sendo que, estes, oferecem vantagens sociais por distribuírem mais trabalho e renda com a sua produção; e ambientais, porque os vegetais que lhes servem como matéria prima, liberam na atmosfera, quando em vida, a mesma quantidade de oxigênio que será consumido durante o processo de elaboração e no consumo; e ainda: deixam o solo desimpedido para o plantio de novas culturas, tanto energéticas com alimentares. Por isso, são classificados como renováveis.
ONDE MORA O PERIGO
Os Estados Unidos são os maiores produtores e importadores de alimentos “in natura” do mundo, utilizados para alimentar diretamente o seu povo, seus animais e a indústria exportadora. Com os preços dos combustíveis fósseis competindo com os bio e a evidente possibilidade de ultrapassá-los em curto prazo, o milho com que alimentavam a avicultura e a suinocultura tiveram grande parte desviada para produção de álcool; e da soja transformada em biodiesel, diminuindo, assim a produção de alimentos industrializados comprometendo as exportações para países não produtores de alimentos, incluindo as contribuições humanitárias.
De acordo com observações pessoais das migrações agrícolas que faço há mais de cinqüenta anos, as regiões acima do trópico de Câncer e abaixo do de Capricórnio que, naquela época, dispunham de campos agrícolas mais produtivos com os quais abasteciam o mundo, vêm decaindo gradativamente, não só pelo esgotamento da fertilidade do solo mas, também, pelo excessivo acúmulo de óxidos de carbono sobre as regiões intertropicais, causadores do aquecimento global. Estas regiões estão se tornando mais produtivas para a agricultura; e o território brasileiro vem sendo crescente alvo da cobiça internacional. O nosso povo tem que pressionar seus governantes para reforçar a segurança do patrimônio nacional. OPINEM, e tenham todos um bom fim-de-semana."

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