domingo, 4 de novembro de 2012

A CRESCENTE E PERIGOSA "ONDA" DE INTOLERÂNCIA E OBSCURATISMO



Autor: Henrique Cortez

 [Ecodebate] O noticiário, seguidamente, informa os mais variados atos de intolerância, no Brasil e no mundo, no que parece ser uma perigosa e crescente ‘onda’ de ódio e preconceitos. Uma ‘onda’ assustadora, que pode por em risco nosso futuro comum, ou pelo menos, a convivência pacífica entre uns e outros.

Seria de se esperar que, com o advento de um novo século, fosse iniciado um novo período de tolerância e de respeito ao outro, quem quer que seja. No entanto, lamentavelmente, não é isto que se observa. Na prática, está evidente o crescimento de uma onda global de intolerância, de preconceitos e de absoluta rejeição aos que, de algum modo, são diferentes. Esta ‘onda’ de intolerância é crescente na Europa, no Oriente Médio, na Ásia e também Brasil.

A cada dia vemos novos e, cada vez mais, raivosos discursos, textos, artigos, declarações e etc, que são evidentemente racistas, preconceituosos e intolerantes.

No Brasil, aparentemente, crescem as posições hostis aos indígenas e quilombolas, aos movimentos sociais e populares. Não são poucos os que defendem a “erradicação” das favelas, do controle de natalidade (dos pobres evidentemente) e da criminalização dos movimentos sociais.

Nas escolas públicas brasileiras, 87% da comunidade – sejam alunos, pais, professores ou servidores – têm algum grau de preconceito contra homossexuais. O dado faz parte de pesquisa divulgada recentemente pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

Uma pesquisa feita pelo Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, em São Paulo, mostrou que 70% dos homossexuais entrevistados já sofreram algum tipo de agressão. Destaque-se que, em 2011, foram constatados ao menos 278 assassinatos relacionados à homofobia.

Mascaramos o nosso racismo fazendo de conta que somos um país que se orgulha da miscigenação, mas de cada dez pobres, sete são negros. Uma pesquisa do instituto Datafolha , de nov/2008, identificou que 93% dos entrevistados reconheciam que existia racismo no Brasil, mas apenas 3% declararam seu preconceito contra negros. Ou seja, apenas os outros são racistas…

Ninguém nasce intolerante, preconceituoso, racista, homofóbico, misógino supremacista, antisemita, islamofóbico, etc. Estas são atitudes que aprendemos desde o berço, herdadas da intolerância, aberta ou camuflada, de nossos antepassados. Se não tivermos capacidade crítica de compreender nossos próprios preconceitos e superá-los, iremos, certamente, reproduzir o modelo, também contaminando o berço de nossos descendentes.

Mesmo a intolerância religiosa está em franco crescimento, sabotando todos os esforços em prol do ecumenismo e do diálogo interigrejas.

E, aproveitando-se do ultraconservadorismo religioso, também cresce a homofobia e a misoginia. A homofobia é óbvia e pública, mas a misoginia é mais mascarada e hipócrita. Muitas vezes ao destacar a ‘importância’ da mulher no estrito papel de filha, esposa e mãe, expõe o subtexto patriarcal da manutenção das mulheres em posições subordinadas ao homem, quer seja esposo, pai ou, até mesmo, sacerdote.

Neste mesmo sentido, como ‘fruto’ da violência machista, mais da metade das jovens entre 16 e 20 anos já sofreu algum tipo de agressão física ou moral pelos namorados.

Todo intolerante, de qualquer tipo, é alguém que acredita estar absolutamente certo, do que quer que seja e, portanto, todos os que pensam ou são diferentes estão absolutamente errados. Simples assim.

Intolerância e violência caminham juntos e, por isto, muito sangue já foi derramado a partir desta lógica perversa e, infelizmente, tudo indica que muito sangue ainda irá correr.

Muitos desafios se apresentam neste novo século, com destaque para as mudanças climáticas, aquecimento global, hiperconsumo, esgotamento de recursos naturais, crise alimentar, refugiados ambientais, etc.

São desafios globais, que devem ser enfrentados por todos indistintamente e, mais do que nunca, precisamos uns dos outros, valorizando o que nos une e desprezando o que nos distancia. É preciso, mais do que nunca, romper com a visão maniqueísta do nós versus os outros.

Se não nos esforçarmos para sermos melhores do que nossos antepassados, os novos desafios deste século serão muitos maiores e mais poderosos do que todos nós.

Fonte: Ecodebate

 

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